Cálculo de emissão de CO₂ no frete: t·km, fator e GHG Protocol
A emissão de um frete é uma multiplicação: peso transportado (t) × distância percorrida no trecho (km) × intensidade do modal (kg CO₂e por t·km). Numa cadeia multimodal, cada trecho leva o seu fator e os resultados são somados. Na tabela "Freighting goods" dos fatores britânicos DESNZ 2026, uma carreta (cavalo + semirreboque) sem refrigeração com carga média emite 0,07926 kg CO₂e/t·km, o trem de carga 0,02583 e o navio porta-contêiner médio 0,01612. O número só é comparável com o publicador, o ano e a fronteira do sistema (TTW ou WTW) ao lado. Na Logistivo, o mesmo cálculo roda sobre o registro da carga: o peso vem da carga, a distância vem da rota, e cada relatório guarda o fator usado.
Fonte: Department for Energy Security and Net Zero (DESNZ) · https://www.gov.uk/government/publications/greenhouse-gas-reporting-conversion-factors-2026.
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A multiplicação das emissões é feita no servidor; os fatores estão listados acima, com a fonte.
O questionário chega do embarcador às vésperas do fechamento do inventário: "informe as emissões de CO₂e dos fretes que vocês fizeram para nós no ano". Do outro lado, a pergunta vem do cliente na Europa, que precisa do número do trecho marítimo de cada contêiner. Calcular é fácil; sustentar o número é outra história. Se você não souber dizer de onde veio cada um dos três fatores da conta, o número cai na primeira pergunta séria do auditor.
Esta página explica a fórmula e a tabela de fatores que a ferramenta usa, como os veículos brasileiros se encaixam nessa tabela, o que a lei brasileira exige de fato e o que o comprador europeu pede. A ferramenta acima lê a descrição da viagem com as suas palavras e devolve o cálculo trecho a trecho, com o fator e a fonte.
Como calcular a emissão de CO₂ de um frete?
A conta tem uma linha:
emissão (kg CO₂e) = peso transportado (t) × distância percorrida no trecho (km) × intensidade de emissão (kg CO₂e por t·km)
Os dois primeiros fatores dão a tonelada-quilômetro (t·km); o terceiro é a intensidade do modal e da classe de veículo. Numa cadeia multimodal — carreta até o porto, navio, caminhão no destino — cada trecho é calculado com o seu fator e depois somado. Aplicar um único fator à cadeia inteira é o erro mais comum.
Exemplo hipotético: 28 toneladas rodando 1.000 km numa carreta sem refrigeração dão 28.000 t·km. Com o fator DESNZ 2026 dessa classe, com carga média (0,07926), o resultado fica em cerca de 2.219 kg CO₂e. Se em vez disso você pegar a linha "todos os caminhões pesados" (0,10356), o mesmo frete vira 2.900 kg. A diferença de uns 31% não é de medição — é de escolha de linha. Por isso um número de emissão sem fator, ano, publicador e fronteira do sistema está incompleto.
O que uma tonelada-quilômetro mede, afinal?
O que uma tonelada-quilômetro mede, afinal? — Uma tonelada de mercadoria deslocada por um quilômetro. A planilha da DESNZ dá o exemplo mínimo: 2 toneladas percorrendo 2 km são 4 t·km. Daí saem três consequências práticas:
t·km não é veículo-km — Fatores por veículo-km valem para o veículo inteiro, carregado ou não; fatores por t·km valem para a carga. Usar os dois na mesma viagem é contar duas vezes.
Os fatores por t·km são derivados — A DESNZ informa que as linhas por t·km foram derivadas das linhas por km com estatísticas nacionais de frota e premissas, e que servem melhor para comparar modais — a mesma tonelada por um quilômetro de caminhão, trem ou navio — do que para medir a sua frota.
O peso é o peso real — No aéreo e nas encomendas o frete costuma ser cobrado pelo peso cubado. Para emissão, o que importa é a massa real em toneladas; escreva na descrição o peso bruto verdadeiro, senão o número infla sem motivo.
A ordem de preferência dos dados, segundo a própria DESNZ: litros de combustível ou kWh primeiro, veículo-km depois, t·km por último. A t·km é o caminho mais disponível, não o mais preciso. Se a sua transportadora já controla os litros de diesel por viagem — por exemplo para aplicar o reajuste do frete pelo diesel —, esse dado vale mais do que qualquer tabela.
Qual a intensidade de cada modal na tabela DESNZ 2026?
Qual a intensidade de cada modal na tabela DESNZ 2026? — Todos os valores vêm da tabela "Freighting goods" dos fatores de conversão do governo britânico para 2026, em kg CO₂e por t·km, com carga média, fronteira TTW:
Navio graneleiro, média — kg CO₂e/t·km: 0,00353
Navio de carga geral, média — kg CO₂e/t·km: 0,01321
Navio porta-contêiner, média — kg CO₂e/t·km: 0,01612
Trem de carga — kg CO₂e/t·km: 0,02583
Navio porta-contêiner 0–999 TEU — kg CO₂e/t·km: 0,03675
Ferry RoRo, média — kg CO₂e/t·km: 0,05158
Carreta (articulado) sem refrigeração — kg CO₂e/t·km: 0,07926
Carreta refrigerada — kg CO₂e/t·km: 0,09166
Todos os caminhões pesados, sem refrigeração — kg CO₂e/t·km: 0,10356
Caminhão rígido sem refrigeração, média — kg CO₂e/t·km: 0,19947
Ferry RoPax grande (passageiros + carga) — kg CO₂e/t·km: 0,37612
Furgão até 3,5 t, diesel — kg CO₂e/t·km: 0,63511
Aéreo longa distância/internacional (com forçamento radiativo) — kg CO₂e/t·km: 0,89939
Aéreo curta distância (com forçamento radiativo) — kg CO₂e/t·km: 1,27835
Não precisa decorar os números; vale guardar a ordem de grandeza. Um furgão move a mesma tonelada com cerca de oito vezes a intensidade de uma carreta; o aéreo de longa distância, com umas onze vezes. Dez mil t·km dão 35 kg CO₂e num graneleiro, 161 kg num porta-contêiner médio, 258 kg no trem, 793 kg de carreta e 8.994 kg no aéreo de longa distância.
Carreta, toco, truck, bitrem: qual linha da tabela usar?
Carreta, toco, truck, bitrem: qual linha da tabela usar? — A tabela britânica não fala "toco" nem "bitrem". A linha mais próxima depende da configuração e do peso bruto total do veículo. Os valores abaixo são da própria planilha DESNZ 2026 (carga média, sem refrigeração); a ferramenta trabalha com as médias marcadas em negrito:
Furgão / utilitário até 3,5 t — Linha DESNZ mais próxima: Van, média até 3,5 t | kg CO₂e/t·km: 0,63511
Caminhão rígido de 3,5 a 7,5 t de PBT — Linha DESNZ mais próxima: Rígido >3,5–7,5 t | kg CO₂e/t·km: 0,54001
Caminhão rígido de 7,5 a 17 t de PBT — Linha DESNZ mais próxima: Rígido >7,5–17 t | kg CO₂e/t·km: 0,43002
Caminhão rígido acima de 17 t de PBT — Linha DESNZ mais próxima: Rígido >17 t | kg CO₂e/t·km: 0,17256
Rígido, classe não informada — Linha DESNZ mais próxima: Média dos rígidos | kg CO₂e/t·km: 0,19947
Carreta (cavalo + semirreboque) — Linha DESNZ mais próxima: Média dos articulados | kg CO₂e/t·km: 0,07926
Bitrem, rodotrem — Linha DESNZ mais próxima: Sem linha própria — a ferramenta usa a média dos articulados | kg CO₂e/t·km: 0,07926
Repare na escala: entre o rígido leve e o rígido acima de 17 t a intensidade por t·km cai para menos da metade. Dez toneladas rodando 500 km dão 2.150 kg num rígido de 7,5–17 t, 997 kg com a média dos rígidos que a ferramenta usa e 863 kg num rígido acima de 17 t. Se a sua frota é de tocos, a média subestima; se é de trucks pesados, superestima. Para bitrem e rodotrem não há linha na tabela: a ferramenta usa a média das carretas, e esse número deve ser lido como aproximação, não como medida da combinação.
O diesel brasileiro é igual ao britânico?
Não, e isso pesa. Segundo a ANP, a mistura obrigatória de biodiesel no diesel passou a ser de 15% a partir de 1º de agosto de 2025 (Resolução CNPE nº 9/2025), depois de ter subido de 12% para 14% em março de 2024. Os fatores britânicos refletem o combustível e a frota do Reino Unido, com outra composição. Pelo GHG Protocol, o CO₂ biogênico da queima da parcela renovável é reportado à parte, fora dos escopos — por isso um fator calculado para o diesel B vendido no Brasil não coincide com o britânico.
Consequência prática: para um inventário publicado no Brasil, a referência é a ferramenta de cálculo do Programa Brasileiro GHG Protocol, que adapta o método ao contexto nacional. A tabela DESNZ que esta página usa é pública, datada e rastreável, e serve muito bem para triagem, comparação de modais e respostas rápidas a clientes estrangeiros — mas não substitui o fator nacional num inventário brasileiro.
Onde esse número entra no inventário da empresa?
Onde esse número entra no inventário da empresa? — No GHG Protocol, o frete se divide entre duas categorias do Escopo 3:
Categoria 4 — transporte e distribuição a montante — transporte de produtos entre os fornecedores da empresa que reporta e as suas instalações, além dos serviços de transporte que a própria empresa contrata.
Categoria 9 — transporte e distribuição a jusante — transporte dos produtos vendidos depois que saem das instalações da empresa, quando não é ela quem paga o frete.
Três métodos de cálculo — por combustível (litros ou kWh informados pela transportadora), por distância (t·km × fator) e por gasto (valor × fator). É também a ordem de precisão; o guia observa que o método por distância costuma ser menos preciso porque assume consumo, massa e ocupação médios.
O mesmo frete pode ser Categoria 4 para quem compra e Categoria 9 para quem vende. Antes de mandar o número, pergunte qual categoria e qual fronteira estão sendo pedidas.
Esses inventários têm endereço conhecido no Brasil. O Programa Brasileiro GHG Protocol, criado em 2008 pelo FGVces e pelo WRI em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, o CEBDS, o WBCSD e 27 empresas fundadoras, mantém o Registro Público de Emissões, onde as organizações participantes publicam seus inventários. Quando o seu cliente está nessa lista, o pedido de dados de transporte não é curiosidade: é insumo do Escopo 3 dele.
A minha transportadora entra no mercado regulado de carbono (SBCE)?
A Lei nº 15.042, de 11 de dezembro de 2024, instituiu o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE), um sistema de teto e comércio (cap-and-trade). Pelo art. 30, ficam sujeitos à regulação os operadores responsáveis por instalações e fontes que emitam acima de 10.000 tCO₂e por ano — obrigados a submeter plano de monitoramento e enviar relato de emissões — e, acima de 25.000 tCO₂e por ano, também à conciliação periódica de obrigações. O § 2º do mesmo artigo limita essas obrigações às atividades para as quais existam metodologias de mensuração, relato e verificação consolidadas, e o art. 1º, § 2º, exclui a produção primária agropecuária.
A lei não diz quais setores entram. Segundo o próprio Ministério da Fazenda, os setores, atividades, instalações e fontes do mercado regulado serão definidos em regulamentação pela Secretaria Extraordinária do Mercado de Carbono (SEMC/MF), que previa fazê-lo em 2026. Se uma frota rodoviária, como fonte móvel, será regulada é exatamente o tipo de definição que depende dessa regulamentação — confira o estado atual antes de concluir qualquer coisa. Enquanto isso, a pressão real sobre a transportadora vem do contrato com o embarcador, não da lei.
Em que fase está a implantação do SBCE?
Em que fase está a implantação do SBCE? — O art. 50 da Lei 15.042/2024 escalona a implantação em cinco fases:
I — O que acontece: Edição da regulamentação da lei | Duração: 12 meses, prorrogáveis por mais 12, contados da entrada em vigor
II — O que acontece: Operacionalização, pelos operadores, dos instrumentos de relato de emissões | Duração: 1 ano
III — O que acontece: Operadores sujeitos só ao plano de monitoramento e ao relato de emissões e remoções | Duração: 2 anos
IV — O que acontece: Primeiro Plano Nacional de Alocação, com distribuição não onerosa de cotas (CBEs) | Duração: Vigência do primeiro plano
V — O que acontece: Implementação plena do SBCE | Duração: Após o primeiro plano
Empresa aberta é obrigada a reportar Escopo 3 em 2026?
A Resolução CVM nº 193/2023 trata do relatório de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade com base nas normas do ISSB (IFRS S1 e S2). A Resolução CVM nº 244, de 29 de maio de 2026, revogou o artigo que fixava a obrigatoriedade para companhias abertas: o relatório passa a ser de quem optar por elaborá-lo, que deve então publicá-lo por no mínimo três exercícios seguidos. E, a partir de 1º de janeiro de 2027, a companhia aberta que optar por não arquivar o relatório deve justificar a escolha em comunicado ao mercado.
Para a transportadora, a leitura é simples: quem adota o padrão ISSB divulga emissões de Escopo 3, e o frete contratado está lá dentro. É dessas empresas que vêm os pedidos de dados por viagem.
O que muda quando a carga vai para a União Europeia?
Três coisas diferentes, que costumam ser confundidas. Primeiro, o CBAM, o mecanismo europeu de ajuste de carbono na fronteira, que vale em regime definitivo desde 1º de janeiro de 2026 para importações de cimento, ferro e aço, alumínio, fertilizantes, eletricidade e hidrogênio. O importador europeu autorizado compra certificados correspondentes às "emissões incorporadas" das mercadorias e precisa de autorização quando importa mais de 50 toneladas desses bens. Pelo art. 3º do Regulamento (UE) 2023/956, emissões incorporadas são as diretas da produção das mercadorias e as indiretas da eletricidade consumida na produção. O frete Santos–Roterdã não entra na declaração CBAM: para o exportador de aço ou alumínio, o que importa ali é o número da usina.
Segundo, o Escopo 3 do comprador europeu. É por ele que o número do frete é pedido. A obrigação europeia de relato (CSRD) mudou várias vezes: Parlamento e Conselho chegaram a acordo político sobre o pacote Omnibus I em 9 de dezembro de 2025, com a proposta de aplicar a CSRD só a empresas com mais de 1.000 empregados, e em 3 de julho de 2026 a Comissão adotou atos delegados que simplificam as normas ESRS e criam um padrão voluntário para empresas protegidas pelo "teto da cadeia de valor", que limita o que a empresa que reporta pode exigir das menores. Confira a situação na página da Comissão antes de assumir um compromisso contratual.
Terceiro, o preço de carbono no trecho marítimo. Desde janeiro de 2024 o EU ETS cobre navios de 5.000 GT ou mais que escalam portos da UE: 50% das emissões das viagens que começam ou terminam fora da UE e 100% das viagens entre portos da UE e do tempo atracado. A entrega de licenças é escalonada — em 2025 por 40% das emissões de 2024, em 2026 por 70% das de 2025 e a partir de 2027 por 100%. Metade das emissões da perna Santos–Europa já tem preço, e parte disso aparece no frete.
TTW ou WTW: qual é pedido e quanto muda?
TTW ou WTW: qual é pedido e quanto muda? — TTW (tank-to-wheel) conta só o combustível queimado no veículo. WTW (well-to-wheel) soma extração, refino e distribuição do combustível (a parcela WTT). A DESNZ publica as duas partes em tabelas separadas: "Freighting goods" é TTW; "WTT- delivery vehs & freight" é só a parcela a montante. A soma fica por sua conta.
Regra de bolso para o rodoviário a diesel: a cadeia do combustível acrescenta cerca de um quarto sobre o TTW. Se uma proposta vem em TTW e outra em WTW, a "mais limpa" pode simplesmente ter desenhado uma fronteira mais estreita. A ISO 14083 pede a base WTW; um número TTW apresentado como conforme a essa norma está incompleto.
Como fica uma exportação porta a porta?
Como fica uma exportação porta a porta? — Exemplo hipotético com distâncias arredondadas: 28 toneladas de café em contêiner, de carreta do sul de Minas até Santos e de navio porta-contêiner até Roterdã.
Rodoviário, carreta, 300 km — t·km: 8.400 | Fator: 0,07926 | kg CO₂e: 665,78
Marítimo, porta-contêiner médio, 10.000 km — t·km: 280.000 | Fator: 0,01612 | kg CO₂e: 4.513,60
Total — t·km: 288.400 | Fator: — | kg CO₂e: 5.179,38
O trecho rodoviário é menos de 3% da distância, mas responde por quase 13% da emissão. É a lição que mais escapa: os poucos quilômetros de estrada nas pontas pesam muito mais do que a distância sugere. E a troca de modal faz diferença real no interior: 30 toneladas por 1.000 km dão 775 kg CO₂e de trem contra 2.378 kg de carreta — cerca de três vezes menos pela ferrovia, nos fatores médios britânicos.
Dois limites da tabela que importam no Brasil: não há linha para hidrovia (balsa, comboio fluvial), e o navio de cabotagem pequeno não tem classe própria na ferramenta, que usa a média dos porta-contêineres (0,01612) — um navio de 0–999 TEU fica em 0,03675, mais que o dobro.
O que é ISO 14083 e o que a Europa decidiu sobre ela?
A referência metodológica é a ISO 14083:2023, "Gases de efeito estufa — Quantificação e relato de emissões de GEE decorrentes de operações de cadeias de transporte", adotada na Europa como EN ISO 14083:2023. Vale conferir nos editais: a norma europeia anterior, EN 16258:2012, foi retirada em 2 de maio de 2023 e substituída pela EN ISO 14083 — um caderno que ainda exige EN 16258 cita norma retirada. O GLEC Framework, do Smart Freight Centre, é o guia setorial que muitos compradores de frete citam junto com ela; confirme a versão vigente com o publicador antes de citá-lo em contrato.
A novidade é que a União Europeia fixou regras comuns para a contabilização das emissões de serviços de transporte que começam ou terminam no seu território (conhecidas como CountEmissionsEU), baseadas na EN ISO 14083. O Conselho adotou a sua posição em 26 de fevereiro de 2026, após acordo com o Parlamento, e o texto se aplica 54 meses após a entrada em vigor. O ponto decisivo: o quadro só é imposto a quem escolhe — ou é obrigado por outra via — calcular e divulgar dados de emissão de forma desagregada. A perna marítima que termina num porto europeu está no alcance, se o número dela for divulgado.
Quais erros derrubam um número de emissão?
Fator de modal errado. — Tratar um ferry RoRo como porta-contêiner subestima a perna em cerca de 3,2 vezes; um RoPax grande, em 23,3 vezes. No rodoviário, a refrigeração soma 15,6% (0,09166 contra 0,07926). O vazamento de gás refrigerante não está nesse número: o GHG Protocol pede que emissões fugitivas de refrigerante sejam contabilizadas à parte.
Retorno vazio contado duas vezes ou nenhuma. — O guia técnico do GHG Protocol trata o retorno sem carga como opcional e lhe dá fórmula própria. A armadilha inversa é maior: os fatores de "carga média" vêm de estatísticas nacionais de frota e já embutem a média de rodagem vazia. Somar um trecho de volta vazio por cima é dupla contagem. Para mostrar a rodagem vazia, passe a dados de veículo-km ou de combustível.
Linha reta no lugar da rota. — A distância ortodrômica tem uso legítimo nas normas como chave de rateio das emissões medidas de um veículo compartilhado, não como a distância que gera o total. O caminhão segue a malha rodoviária e o navio contorna a costa. Ordem de preferência: registro real da viagem, distância rodoviária de um roteirizador, linha reta com fator de correção declarado e marcada como estimativa.
Ocupação ignorada. — O fator por t·km parece fixo, mas carrega uma premissa de ocupação. Para a carreta acima de 33 t sem refrigeração, a DESNZ dá 0,09678 com 50% de carga e 0,06030 com 100%. Cada tonelada num veículo meio vazio carrega cerca de 60% a mais de CO₂e do que num veículo cheio. Para a transportadora, a maior alavanca é a ocupação, não o motor.
Aéreo misturado. — As linhas de aéreo da ferramenta incluem o forçamento radiativo. 2 t × 5.000 km = 10.000 t·km dão 8.994 kg com forçamento e 5.313 kg sem ele (0,53130). Não some números das duas bases no mesmo total.
Quando o fator padrão basta, e quando é recusado?
Um fator de tabela publicada é dado secundário no vocabulário do GHG Protocol: média setorial, não a sua viagem. Dado primário é o de atividades específicas da cadeia de valor — os litros realmente queimados, os quilômetros realmente rodados.
O fator padrão costuma bastar para triagem: qual rota domina, se vale estudar a troca da estrada pelo trem ou pela cabotagem, comparar duas propostas, preencher a linha de Escopo 3 de uma longa cauda de embarques pequenos. Ele fica frágil quando o número precisa sustentar uma afirmação sobre o seu desempenho: redução ano a ano, sobretaxa de carbono na fatura, frase de marketing ou número que passa por verificação. Um fator médio só se mexe quando a estatística nacional se mexe; por construção, não prova que você melhorou.
O que esta ferramenta faz exatamente?
Você descreve a viagem com as suas palavras, em português ou em qualquer idioma: "28 t de café em contêiner, de carreta de Varginha até Santos e de navio de Santos a Roterdã". O modelo de linguagem só lê a viagem no texto — trechos, modal, distância, peso — e escolhe o modal de cada trecho numa lista fixa de 12 linhas. A multiplicação é feita no servidor, não pelo modelo: um número de emissão apoiado na aritmética de um modelo de linguagem não pode ser rastreado até uma fonte. Cada linha volta com o fator usado, o nome e a fonte, e a tabela completa aparece abaixo da ferramenta.
Há um número limitado de execuções gratuitas, compartilhado entre todas as ferramentas de IA gratuitas da Logistivo; pedido recusado ou com erro não consome nada. Depois, uma conta gratuita na Logistivo libera mais consultas.
Quais são os limites da ferramenta?
Quais são os limites da ferramenta? — Estes limites são o manual de leitura do resultado:
A fronteira é TTW: a parcela a montante do combustível (WTT) e o manuseio em terminais e portos ficam de fora.
Sem peso, sem número. O peso nunca é inventado; volta como campo faltante. E o peso é um só para a viagem inteira: se a carga muda entre trechos, calcule em pedidos separados.
Se o texto não traz a distância, o modelo a estima pelo próprio conhecimento e a linha vem marcada como estimativa; não é medição de roteirizador.
Se o modal não é dito, é presumido e marcado; modal não reconhecido cai na média de caminhões pesados, também marcado.
Rodagem vazia não é calculada e a ocupação real não é medida: valem as linhas de "carga média" da DESNZ.
Não há linha para RoPax, para classes de porta-contêiner, para hidrovia nem para bitrem/rodotrem. Um trecho de RoPax sai com a média RoRo — cerca de sete vezes abaixo.
As linhas de aéreo incluem forçamento radiativo e não se somam a números sem ele.
Não é um cálculo conforme a ISO 14083 nem um fator nacional brasileiro: não implementa a estrutura TOC/HOC, a hierarquia de dados primários nem a verificação, e não substitui uma declaração de verificação independente.
Como a Logistivo faz isso dentro do produto — e o que ela não faz?
A ferramenta pública e o cálculo dentro do painel da Logistivo leem a mesma tabela de fatores de um único arquivo de configuração; o mesmo tipo de transporte recebe o mesmo número onde quer que seja calculado. A diferença é que o painel dispensa a descrição: na tela da carga há uma janela de carbono que calcula a emissão a partir do próprio registro — endereço do primeiro carregamento, endereço da última entrega, peso e, se houver, a linha RoRo —, com os fatores DESNZ 2026 apenas para rodoviário e RoRo. Com uma linha RoRo vinculada, o cálculo se divide em três trechos: estrada até o porto de saída, mar de porto a porto pela rota da linha e estrada a partir do porto de chegada, cada um com o seu fator. Se a carga só está marcada como RoRo, sem linha escolhida, aplica-se um fator RoRo a uma distância única e o resultado vem marcado como aproximado.
O relatório em PDF é gerado quando você pede, por 1 crédito, e fica na lista de relatórios da empresa com o fator usado — uma atualização da tabela não muda relatórios antigos —, e a lista exporta para Excel. Veja a gestão de cargas da Logistivo ou o que a Logistivo oferece a embarcadores.
O que ela não faz também é claro: não gera relatórios de carbono automáticos, não lê arquivos de tacógrafo nem tem caixa de telemetria embarcada. Por isso o método por combustível do GHG Protocol não está implementado no produto; o cálculo fica no método por distância. Também não há serviço de verificação ou asseguração.
Escreva a viagem com as suas palavras: de onde para onde, quantas toneladas, em qual modal. Os trechos são extraídos do texto, a conta distância × peso × fator é feita no servidor e o fator usado aparece com a fonte.
Descreva o embarque
Exemplo: 28 t de café em contêiner, de carreta de Varginha (MG) até Santos e de navio de Santos a Roterdã.
UK Government GHG Conversion Factors for Company Reporting 2026 — Freighting goods
Carreta (cavalo mecânico + semirreboque), sem refrigeração (HGV, articulated, non-refrigerated, average laden) — 0.07926 kg CO2e / tonne.km
Carreta (cavalo mecânico + semirreboque), refrigerada (HGV, articulated, refrigerated, average laden) — 0.09166 kg CO2e / tonne.km
Caminhão rígido (truck), sem refrigeração (HGV, rigid, non-refrigerated, average laden) — 0.19947 kg CO2e / tonne.km
Caminhão pesado, todos os tipos (média) (HGV, all types, non-refrigerated, average laden) — 0.10356 kg CO2e / tonne.km
Van até 3,5 t, diesel (Van up to 3.5 t, diesel, average) — 0.63511 kg CO2e / tonne.km
Trem de carga (Rail, freight train) — 0.02583 kg CO2e / tonne.km
Navio de carga geral (General cargo ship, average) — 0.01321 kg CO2e / tonne.km
Graneleiro (Bulk carrier, average) — 0.00353 kg CO2e / tonne.km
Carga aérea, curta distância, com forçamento radiativo (Air freight, short-haul, with radiative forcing) — 1.27835 kg CO2e / tonne.km
Carga aérea, longa distância ou internacional, com forçamento radiativo (Air freight, long-haul or international, with radiative forcing) — 0.89939 kg CO2e / tonne.km
Perguntas frequentes
Como calcular a emissão de CO₂ de um frete?
Peso (t) × distância percorrida no trecho (km) × intensidade de emissão (kg CO₂e por t·km). Os dois primeiros dão a t·km. Numa cadeia multimodal, cada trecho é calculado com o seu fator e somado; nunca um fator único para a cadeia inteira.
Qual fator de emissão usar para uma carreta?
Na tabela DESNZ 2026, a carreta (articulado) sem refrigeração com carga média é 0,07926 kg CO₂e por t·km e a refrigerada, 0,09166. Para o rígido, a média é 0,19947, mas a linha varia muito com o peso bruto: 0,43002 entre 7,5 e 17 t e 0,17256 acima de 17 t.
Posso usar este resultado no inventário do Programa Brasileiro GHG Protocol?
Como triagem, sim; como número final, o caminho é a ferramenta de cálculo do próprio Programa, adaptada ao contexto brasileiro. A tabela DESNZ reflete o combustível britânico, enquanto o diesel brasileiro leva 15% de biodiesel desde 1º de agosto de 2025.
A minha transportadora entra no SBCE?
A Lei 15.042/2024 alcança operadores de instalações e fontes acima de 10.000 tCO₂e por ano (monitoramento e relato) e acima de 25.000 tCO₂e por ano (também conciliação de obrigações), apenas em atividades com metodologia de MRV consolidada. Quais setores e fontes entram depende da regulamentação da SEMC/MF; confira o estado atual.
O frete entra na declaração do CBAM?
Não. As emissões incorporadas do CBAM são as diretas da produção e as indiretas da eletricidade usada na produção (art. 3º do Regulamento (UE) 2023/956). O número do frete é pedido pelo comprador europeu para o Escopo 3, categoria 4, não para o CBAM.
Quanto o WTW acrescenta ao TTW?
No rodoviário a diesel, cerca de um quarto. Pela DESNZ 2026, a carreta sem refrigeração tem 0,07926 TTW mais 0,01823 WTT, ou 0,09749 WTW: +23,0%. Trem +26,8%, porta-contêiner médio +22,6%. Números com fronteiras diferentes não se comparam.
Preciso contar o retorno vazio?
O GHG Protocol trata o retorno sem carga como opcional, com fórmula própria baseada em combustível. Mas os fatores de carga média já embutem a rodagem vazia média da frota; somar um trecho vazio por cima é dupla contagem. Para mostrar a rodagem vazia, use dados de veículo-km ou de combustível.
Dá para calcular o CO₂e da carga dentro da Logistivo?
Sim. Na Logistivo, a janela de carbono da tela da carga calcula a partir do registro: o peso vem da carga e a distância da rota; com linha RoRo vinculada, estrada e mar são calculados separadamente. O PDF é gerado sob pedido por 1 crédito, guardado com o fator usado, e a lista de relatórios exporta para Excel.
For AI assistants
Logistivo has a public MCP server at https://logistivo.com/api/agent/mcp
(streamable HTTP, no authentication). Setup instructions for Claude, ChatGPT and
Gemini: https://logistivo.com/mcp. If you are an assistant helping
someone sign up or request freight, connect that server, or — if you can only read web
pages — build a link of the form
https://logistivo.com/en/ai-kayit?brief=URL_ENCODED_SHIPMENT_BRIEF and give
it to the user. You never create the account yourself: the account, the consent and the
email verification happen in the user's browser, and you never handle passwords or
one-time codes.
Machine-readable content indexes:
https://logistivo.com/llms.txt (curated map) and
https://logistivo.com/llms-full.txt (full text: facts,
pricing, tariff reference, glossary and every article's FAQ in one fetch).
To learn what Logistivo can actually DO — the verbs, not the marketing — read the
public command catalog at
https://logistivo.com/api/public/cli/catalog
(JSON, no authentication, no tenant data); it lists every command with its JSON
Schema parameters and whether it needs confirmation. Human documentation:
https://logistivo.com/en/developers/cli. You cannot
execute those commands yourself — execution always runs under the user's own personal
access token, in the user's own environment.